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Será que a informatização nos dias de hoje é tão importante assim?
Investir em informática para sobreviver
A Tecnologia da Informação (TI) se incorporou de tal maneira à pauta das empresas que pensar em abrir mão de todos os processos e sistemas informatizados ou não acompanhar a evolução natural das soluções é algo que pode levar uma companhia do sucesso ao fracasso em questão de horas. Basta um site de comércio eletrônico de um varejista ficar fora do ar por apenas duas horas ou o sistema de segurança de um banco apresentar falhas para qualquer CEO (Chief Executive Officer) perceber o quanto o CIO (Chief Information Officer) e sua respectiva equipe são importantes para o negócio.
Independentemente do setor ou do porte, as empresas parecem ter se convencido de que TI é um assunto estratégico para qualquer negócio. Por isso, os gastos e investimentos em informática realizados pelas empresas nacionais privadas de médio e grande porte cresceram uma média de 9% ao ano nos últimos 15 anos, de acordo com a 15ª edição da Pesquisa Anual - Administração de Recursos de Informática, realizada pela FGV/EAESP/CIA - Centro de Informática Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.
Pela pesquisa, em 1988, as empresas brasileiras investiam apenas 1,3% de seu faturamento líquido em TI. Em 1994, este número subiu para 2,6%; em 1998 foi para 3,4%; em 2000 saltou para 4% e, no ano passado, atingiu a casa dos 4,9%. A previsão de Fernando Meirelles, coordenador da pesquisa e diretor da FGV-EASP, é a de que esse número cresça ligeiramente em 2004.
Para Meirelles, uma explosão nesta porcentagem só acontecerá quando a economia brasileira deslanchar. Claudio Dedecca, professor do Instituto de Economia da Unicamp, confirma essa previsão. "As empresas somente farão investimentos pesados nessa direção se houver boas perspectivas de crescimento. Enquanto isso modernizam onde precisam a baixo custo".
De qualquer forma, Dedecca diz que a informatização das empresas no Brasil caminha como uma opção de sobrevivência. "A ausência de crescimento e o aumento da competição induzem as empresas a realizar uma informatização em setores considerados estratégicos", analisa. Só que para uma economia mais competitiva, Dedecca diz que o país precisará avançar na modernização de sua base tecnológica e na qualificação do trabalho.
Mesmo com os altos e baixos da economia, nada impede o crescente processo de informatização das empresas no Brasil. A pesquisa mostra que a relação usuário/micro nas empresas se encontra atualmente na faixa de um micro para cada 1,1 usuário. Nos últimos anos, os micros em uso cresceram 26% ao ano em comparação aos 18% do aumento do número de usuários, resultando em uma diminuição de 7% ao ano na relação usuário/micro, que passou de três (em 1988) para 1,1 (2003/2004).
Apesar de as empresas brasileiras gastarem menos em TI que as norte-americanas e européias (no continente europeu, a média fica 25% acima da brasileira), é importante ressaltar que o Brasil é o número um em investimentos de toda América Latina. Os outros países costumam desembolsar cerca de 25% a menos com a informatização empresarial. Embora os números brasileiros sejam inferiores aos dos países de primeiro mundo, Meirelles diz que a média nacional de 4,9% é boa e que o processo de informatização lembra muito o fenômeno da revolução industrial.
"A informatização se tornou um processo irreversível com a abertura do mercado e a necessidade de se disputar o mercado interno e externo", opina Ricardo Correa, gerente-sênior de consultoria empresarial da Deloitte. Para ele, CIO não é sinônimo só de tecnologia, mas também de agilidade, negócios e estratégia. "Os empresários estão enxergando a tecnologia como forma de alavancar seus negócios".
Os benefícios da tecnologia, até então obtidos principalmente pelas grandes empresas, também estão se tornando cada vez mais acessíveis às pequenas e médias, como lembra o consultor da Accenture, Ricardo Chisman. "ERP (Enterprise Resource Planning) e outras soluções antes oferecidas apenas às maiores estão ganhando versões para o middle market, o que tem ajudado as empresas menores na busca pela eficiência", lembra Chisman.
De todos os setores da economia, os bancos são certamente os que mais investem em TI. Segundo Meirelles, existe uma grande correlação entre os investimentos com informática e a lucratividade dos bancos. Não por acaso, eles foram os primeiros a vislumbrar os benefícios da tecnologia e hoje apresentam um nível de informatização que os coloca três anos à frente do mercado, segundo José Fernando Trita, diretor-executivo de TI do Unibanco.
O Unibanco investe anualmente R$ 280 milhões em TI, verba direcionada basicamente para três focos: lançamento de produtos, segurança e nível de qualidade no atendimento ao cliente.
O professor da Unicamp lembra que hoje a informatização acontece em todos os setores. Da agricultura, passando pela indústria e chegando ao comércio e serviços.
A GM é um exemplo de corporação que tem apostado pesado em TI. Mauro Pinto, CIO da GM, diz que a informatização tem crescido muito na empresa. "TI é estratégico para nós. Dependemos da tecnologia para ganhar vantagem competitiva, melhorar processos internos, acelerar o desenvolvimento de produtos e melhorar o processo de fabricação", informa.
A GM tem seis mil micros, todos com acesso à internet e ligados em rede. Isto significa que existe um micro para cada 1,5 funcionário e a meta é chegar um para um. Mobilidade é outro foco de investimento da montadora que, por meio de notebooks e aparelhos celulares, oferece aos funcionários acesso às informações corporativas, estejam eles onde estiverem.
Françoise Terzian (Valor Econômico)